domingo, 25 de março de 2012

Desaprender é difícil, mas pode ser necessário.




   Mudar é complicado. Abandonar conceitos arraigados é mais complicado ainda. Desaprender é difícil, mas pode ser necessário.
Você já ouviu falar em Jean-Faber? Célebre naturalista francês, que pesquisou o acompanhamento da lagarta “processionária.”
  “Esses bichinhos têm um comportamento curioso. Geralmente, caminha formando uma longa coluna, com olhos semicerrados e a cabeça de cada um é pregada à traseira da companheira que a precede. Parecem automóveis em um engarrafamento de trânsito: o pára-choque de um quase ligado ao pára-choque do carro da frente. O que sucederia – perguntou-se Faber – se eu colocasse a primeira processionária de tal modo que ficasse unida à última da coluna?”
   “Sem grandes problemas, conseguiu com que várias lagartas caminhassem em círculo, sobre a borda de um vaso. Caminharam e caminharam durante sete dias e sete noites. Pareciam que não podiam romper a cadeia...”
Morreram de cansaço e de fraqueza devido à falta de alimento. O mais interessante é que, dentro do vaso, a uma distância menos que o comprimento de uma lagarta, havia grande quantidade de alimento, que seria um verdadeiro banquete, se qualquer uma das lagartas tivesse se animado a romper a cadeia. “Mas, nenhuma o fez...”
  Como  as lagartas, nós também nos apegamos à tradição, ao hábito, ao preconceito, à  preguiça e nos fechamos para a descoberta. Inibimos nossa capacidade de criar, de ver o novo que pode estar perto, e que se fosse visto, e entendido, provocaria nosso crescimento. Por que insistir na inflexibilidade, na rigidez, na repetição? Medo do desconhecido?
  É provável que o temor venha do fato de não conhecermos bem a nossa potencialidade, nosso mecanismo de adaptação e de crescimento.
  Às vezes, não conseguimos identificar essas possibilidades, outras vezes nos esforçamos para não vê-las, como as lagartas que não perceberam o alimento tão perto.
  Percebê-las, aproveitá-las, pode ser um esforço que exija abandonar posições fechadas. Abandonado velhos costumes, modificamos nosso jeito de trabalhar, de se relacionar com o outro, seja no ambiente familiar, das relações de amizade, das relações afetivo-sexuais... A tarefa não é fácil, nem cômoda: requer novos papéis, disposição de enfrentar a análise do nosso comportamento que levará à identificação das mudanças necessárias. Que tal então aprendermos a desaprender em alguns momentos?

(Autor Desconhecido) 

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