Mudar é
complicado. Abandonar conceitos arraigados é mais complicado ainda. Desaprender
é difícil, mas pode ser necessário.
Você já ouviu
falar em Jean-Faber? Célebre naturalista francês, que pesquisou o
acompanhamento da lagarta “processionária.”
“Esses bichinhos
têm um comportamento curioso. Geralmente, caminha formando uma longa coluna, com
olhos semicerrados e a cabeça de cada um é pregada à traseira da companheira
que a precede. Parecem automóveis em um engarrafamento de trânsito: o pára-choque
de um quase ligado ao pára-choque do carro da frente. O que sucederia – perguntou-se
Faber – se eu colocasse a primeira processionária de tal modo que ficasse unida
à última da coluna?”
“Sem grandes
problemas, conseguiu com que várias lagartas caminhassem em círculo, sobre a
borda de um vaso. Caminharam e caminharam durante sete dias e sete noites.
Pareciam que não podiam romper a cadeia...”
Morreram de
cansaço e de fraqueza devido à falta de alimento. O mais interessante é que,
dentro do vaso, a uma distância menos que o comprimento de uma lagarta, havia
grande quantidade de alimento, que seria um verdadeiro banquete, se qualquer
uma das lagartas tivesse se animado a romper a cadeia. “Mas, nenhuma o fez...”
Como as lagartas, nós também nos apegamos à
tradição, ao hábito, ao preconceito, à
preguiça e nos fechamos para a descoberta. Inibimos nossa capacidade de
criar, de ver o novo que pode estar perto, e que se fosse visto, e entendido, provocaria
nosso crescimento. Por que insistir na inflexibilidade, na rigidez, na repetição?
Medo do desconhecido?
É provável que o
temor venha do fato de não conhecermos bem a nossa potencialidade, nosso
mecanismo de adaptação e de crescimento.
Às vezes, não
conseguimos identificar essas possibilidades, outras vezes nos esforçamos para
não vê-las, como as lagartas que não perceberam o alimento tão perto.
Percebê-las,
aproveitá-las, pode ser um esforço que exija abandonar posições fechadas.
Abandonado velhos costumes, modificamos nosso jeito de trabalhar, de se
relacionar com o outro, seja no ambiente familiar, das relações de amizade, das
relações afetivo-sexuais... A tarefa não é fácil, nem cômoda: requer novos
papéis, disposição de enfrentar a análise do nosso comportamento que levará à
identificação das mudanças necessárias. Que tal então aprendermos a desaprender
em alguns momentos?
(Autor Desconhecido)

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